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Na noite vi-te flutuando
Numa floresta de figueiras,
Ciprestes, choupos e oliveiras
Cobertas de hera, velando
O sono tranquilo das folhas
Vermelhas de muita idade
Que repousavam nas encolhas
Serenas da verde cidade.

As nuvens pariam orvalhos
Que pendiam nas copas frias
das árvores em secos galhos
E na escuridão tu seguias…

Olhava-te de longe Antares,
Ciente de tuas vontades
E tuas idas aos altares
Antigos de eternidades,
Onde serpentes cultuadas
Pelos faunos e hamadríades
Se entrerroscavam caladas
(eram incontáveis miríades…)

A noite ia-se já minguada.
Dir-se-ia com certeza
Por acônito envenenada,
Tal era sua grácil leveza

E o azul noturno de estanho
– fantasma – se esvaneceu.
O Sol por fim teve seu ganho e
Silenciosamente nasceu.