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Dione M.S.Rosa: Quando você começou a sua carreira literária? Qual o seu primeiro livro? Conte-nos a respeito.

Nicole Sigaud: Comecei tardiamente, porque antes eu era ilustradora de capas de livros e não acreditava que tivesse “jeito” para escrever. Criava algumas coisas sem muita convicção, e engavetava tudo, até que eu me apaixonei pela história do deus Anúbis e escrevi um livro quase vinte anos depois, com edição de autor, em 2007.

Dione M.S.Rosa: Você acaba de lançar o livro O Papiro de Wadjet pela Editora DTX. É uma novela de ficção? Percebe-se que o livro está repleto de lendas e há muitas referência aos deuses e à mitologia de vários lugares. Como foram as suas pesquisas em relação ao papiro e quanto tempo levou para concluir o livro? Ele realmente existe?

Nicole Sigaud: As pesquisas foram muitas, sim, a maior parte de coisas que eu já havia lido, mas com o uso da internet isso ficou muito mais fácil para mim; antes era por enciclopédias ou dias me perdendo nos labirintos de bibliotecas, em especial da UnB. O livro nessa versão de 2017- 2018 demorou cerca de 27 anos para ser escrito, entre hiatos imensos de engavetamento do livro. Se oPapiro de Wadjet existe? Posso dizer que sim, e que está numa coleção particular, bem escondido. Colhendo várias referências de litanias para os mortos, em vários papiros, dá para se ter uma ideia da origem do que veio a se chamar Anúbis para os gregos. O livro que eu escrevi é uma idealização desse papiro original, de Wadjet, com toques romanceados. Além dessas referências, muitas lendas de origem extremamente antiga foram pesquisadas, como a dos lobisomens e vampiros. Todas elas tiveram uma origem estranhamente comum. A presença principal, creio eu, seja dos Nephilim, que acredito serem os verdadeiros deuses, comparando mitologias e religiões de vários povos de diferentes origens. Uma das fontes de pesquisa foi um livro chamado O 12º Planeta, de Zecharia Sitchin, e tabuletas sumérias de diversos museus.

Dione M. S. Rosa: Poderia destacar algum trecho em especial do livro?

Nicole Sigaud: Por questões muito particulares, a parte que mais me emocionou para escrever foi a da rejeição por parte do humano a quem o lobinho via como pai. Isso um terapeuta explica, claro! A gravidez me deu trabalho para descrever, porque queria transmitir algo que fosse verdadeiramente repugnante e, ao mesmo tempo, que fosse lento e agridoce. Acho que consegui.

Dione M.S.Rosa: Você lançou O Papiro de Wadjet em Portugal, não foi? Conte-nos um pouco dessa experiência.

Nicole Sigaud: Entrei em contato com a Editora Chiado e enviei os originais do livro, recebendo resposta positiva em dez dias. Essa editora eu encontrei num sítio de buscas e, como não tinha a menor ideia de referência de alguma editora portuguesa, escolhi a esmo, arriscando. Quanto ao lançamento em Lisboa, que seria dia 11 de abril, deu tudo errado com reserva de hotel em Lisboa (eu estava em Coimbra no dia anterior), resultando em cancelamento de cartão de crédito e uma boa dose de dor-de-cabeça. Sabe aquele tipo de erro de sistemas que aparecem uma vez por milhão? Fui premiada (risos), e tive que cancelar a noite de autógrafos na última hora. Frustrante, mas acredito piamente que tudo tem uma razão de acontecer, e quando dá muito errado um preparativo qualquer, para mim é um sinal para que a coisa não aconteça. Verei se num futuro próximo há a possibilidade de se fazer um lançamento em Portugal, mas não tenho pressa para isso.

Dione M.S.Rosa: Como estão os novos projetos em literatura?

Nicole Sigaud: Tenho um livro iniciado, num estilo totalmente diferente do An-Pu, com nome temporário de Inclusão Social. Há outros contos engavetados que pretendo reabilitar e, se possível, fazer um livro ou entrar em coletâneas.

Dione M.S.Rosa: Que sugestão daria aos novos escritores ou àqueles que desejam iniciar o projeto de escrever um livro?

Nicole Sigaud: Antes de mais nada, Não ouçam, não deem ouvidos a quem disser que não têm talento, que deveriam parar de escrever ou coisas deletérias do tipo. Eu sofri esse tipo de assédio moral e foi por isso que o meu primeiro livro levou quase uma geração inteira para ser publicado. A falta de autoestima num escritor é mortal. A segunda coisa em que posso pensar é: gostem da sua língua, acariciem a gramática e a ortografia como coisas preciosas, porque são as ferramentas do ofício. Não adianta ter a ideia e a inspiração, e pecar em transmiti-las fracamente ao leitor.

Dione M.S.Rosa: Como o leitor interessado deverá proceder para adquirir o seu livro e saber um pouco mais sobre você e o seu trabalho literário?

Nicole Sigaud: O meu livro pode ser adquirido pelo correio, bastando mandar um email para mim com os dados de envio e um comprovante de depósito de R$ 36,00 mais o frete, de R$ 9,50 para envio normal e R$ 72,52 para SEDEX.

Dione M.S.Rosa: Quais os seus contatos para que os leitores adquiram o exemplar?

Nicole Sigaud: Meu email é [email protected], que é o contato mais confiável para mim.

Perguntas:

Um livro: Criação, de Gore Vidal

Um (a) autor (a): Marguerite Yourcenar

Um filme: Duna

Um sonho: Como desejo, ver o An-Pu em filme; como matéria onírica, um subsolo estranho que ainda preciso investigar melhor, porque me deu medo e não sei o motivo.

Dione M.S.Rosa: Deseja encerrar com mais algum comentário?

Nicole Sigaud: Gostaria muito de receber retorno dos leitores, para que eu aprimore a minha arte. Afinal, não existe escritor sem leitores!